Game On

por Sílvio Teixeira, gerente de projetos da Huia

9 entre 10 meninos que viveram os anos 80 e 90 adorariam ter uma máquina de fliperama para chamar de sua. Pois esse sonho virou realidade na sede da W3haus/Huia em Porto Alegre. Graças à determinação, longas madrugadas e conhecimentos em marcenaria, serigrafia, elétrica, eletrônica e pintura, um grupo de colegas transformou uma  velha carcaça tomada de cupins na diversão da turma na hora de desestressar. 

A ideia era gerar uma mudança de ares na empresa. Algo que permitisse a criação de um ambiente mais descontraído, menos formal. A formalidade nunca foi mesmo uma das nossas características principais, até porque sempre entendemos que o desempenho está fortemente ligado ao quanto nos sentimos bem no nosso local de trabalho.

A etapa de brain foi divertida e muitas ideias surgiram. Uma delas veio de nosso amigo Rodrigo “Sacer” de São Paulo. Nem todo mundo sabe, mas “Sacer” não é nome ou sobrenome do Rodrigo, mas um nick proveniente da época em que ele virava noites em jogos estilo Dungeons and Dragons, e seu personagem favorito era um sacerdote, que acabou por emprestar uma identificação pela qual ele é conhecido até hoje. Reza a lenda que certa vez ligaram para a casa dele pedindo para falar com o “Sr. Rodrigo” e a empregada disse que não havia ninguém com este nome, quando então a pessoa remendou: “- O Sacer”, ao que ela respondeu com alegria: “Ah, o Sacer está sim!”, mas isso já acho que não é verdade.

A sugestão do Sacer foi que comprássemos uma máquina de fliperama. Nada destas traquitanas modernas, mas o bom e velho fliperama que foi parte da infância de tantos que hoje trabalham na nossa empresa. A ideia parecia boa, no entanto o valor que poderíamos gastar não era suficiente para adquirir uma destas máquinas. As poucas que existem no mercado são tratadas como raridades e seus donos colocam preços de acordo com sua afeição por elas e não por sua funcionalidade. Já estávamos quase jogando a toalha quando nosso colega Luiz Sordi (cujo nome é assim mesmo, não tem historinha não) encontrou uma destas máquinas para venda com um preço bastante baixo. O próprio anuncio já dizia “máquina com severos danos”. Pela observação do vendedor você pode imaginar o que se poderia esperar, e realmente não nos decepcionou! A máquina poderia passar facilmente por um amontoado de lixo. Ela estava completamente carcomida pelos cupins, larvas e outros animais que, acreditamos, não tenham sido catalogados ainda por qualquer biólogo. As opiniões divergiam entre comprar para reformar, desistir ou atear fogo (que inicialmente foi a sugestão mais aceita).

No final das contas o desafio foi aceito e compramos a máquina, ainda que sob o olhar desconfiado do vendedor, que não acreditava ter se livrado do encosto que mantinha guardado há tanto tempo. Era bem verdade que a placa eletrônica e o cinescópio (o tubo da tv) funcionavam, ainda que fosse necessário segurar alguns fios para que eles não encostassem uns nos outros, o resto era uma verdadeira incógnita.

Quando tentamos colocá-la dentro do furgão para trazê-la para a empresa, o primeiro revés: a parte do fundo se soltou, esfarelando nas mãos do prestativo Ongarato (nosso especialista para assuntos elétricos). Juntamos os pedaços e trouxemos para a empresa.

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A chegada não foi recebida com o apupo que julgávamos. A máquina não causava boa impressão e as apostas estavam em 5 por 1 de que desistiríamos antes de fazê-la funcionar, mas aqui é Huia, e nós estamos aqui para fazer o que nunca foi feito, ou na pior das hipóteses, refazer algo que estava se desfazendo…

A reconstrução da máquina foi um trabalho de muitas mãos, enquanto o Luiz Sordi jogava inseticida líquido por entre as frestas da madeira, tentando salvar o que fosse possível, o Ongarato separava a parte de baixo da máquina que não podia ser salvo, cortando a madeira com uma furadeira (serra é para os fracos). Em outra frente, o Silvio Teixeira (sim, este que vos fala, ou escreve no caso), vetorizava a logomarca para adesivar novamente a máquina que se esperava ver ressurgir das cinzas.

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A batalha estava sendo vencida pela máquina quando recebemos a ajuda inesperada do nosso colega Emil, que do nada apareceu com máquinas, maletas de ferramentas e uma habilidade só encontrada em profissionais do ramo da marcenaria. A partir dai o ânimo foi renovado e a máquina recebeu finalmente uma nova base e uma substituição das partes que não puderam ser salvas (e foram muitas!). Os botões foram trocados, a fiação foi refeita e aos poucos ela retomou a forma, o suficiente para vermos que estávamos no caminho. No entanto ainda faltava uma parte crucial do processo: ligar a máquina. Se ela não explodisse já estaríamos no lucro…

Conexões feitas, ligada na tomada, chave em on! Algumas coisas têm o poder de nos dar um nível de satisfação difícil de descrever. Quando aquela música inconfundível preencheu o ambiente, não ouvimos gritos, nem aplausos, nem palavras… Só sorrisos, e um tanto deste sentimento gostoso que enchia a gente de maneira incomensurável. Ela funcionava! É bem verdade que na tela do jogo os bonecos pareciam mais verdes do que deveriam, e que o alto-falante rasgado não dava conta da potência do som, mas estes detalhes passavam completamente despercebidos naquela madrugada alta, e não passavam disto, apenas detalhes que seriam resolvidos facilmente.

E assim foi, três demãos de tinta fizeram novos milagres. Os adesivos personalizados foram criados, impressos e recolocados, a iluminação, o som e as cores foram devidamente ajustadas. E algumas coisas ainda puderam ser melhoradas em relação ao projeto original, tal como o sistema de ficha que permite o funcionamento da máquina que foi mantido operacional, mas como alternativa foi instalado um botão para permitir o uso rápido e o controle de volume, que permitiu o uso da máquina sem atrapalhar quem estivesse trabalhando quase ao lado.

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O sucesso foi imediato, até selfie com a máquina o pessoal tirou para colocar nas redes sociais, enquanto que ao lado dela, um Xbox One desolado e abandonado era obrigado a ver a fila se formando de jogadores para uma rápida partidinha do ultimo lançamento do ano de 1996!

 

 

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