Viver em rede afeta o comportamento humano?

Vinícius França

O Teatro do CIEE, em Porto Alegre, se transformou ontem em palco de debates sobre o comportamento humano em tempos digitais. Os palestrantes do evento CO-Vivências, promovido pela Will Meeting School, trouxeram muitas certezas e outras tantas questões ainda sem resposta.

A pergunta que norteou o dia talvez tenha sido: em uma era de transição, de novidades e de velocidade, como plataformas e canais digitais interferem nas nossas vidas? Resposta certeira não há. O encontro, porém, levantou perguntas que podem nos ajudar a enxergar melhor esses tempos ainda difusos de redes sociais, de interatividade e de conteúdo.

Redes sociais: o quê e pra quê?

Redes sociais sempre existiram – muito antes da Internet. E com elas construimos significados para suas vidas. O consumo, como apontou Getúlio Reale, pesquisador da cultura do consumo., só existe porque estamos unidos socialmente. Quando um motoqueiro compra um Harley-Davidson, por exemplo, ele está buscando um sentimento de liberdade, de senso de machismo. São significados culturais que só existem porque vivemos conectados de alguma forma, à medida que nos relacionamos sempre.

“A cultura material funciona como uma forma de mediação das relações sociais”.

Nas redes sociais online, esse valor cultural é tomado pelo conteúdo que circula entre os seus usuários. O conteúdo digital ajuda a construir o EU dos indivíduos, pois é com ele que que as pessoas escolhem significados e contam suas experiências de vida para seus círculos sociais.

Ok. Estamos todos conectados. E agora?

Com nossa tecnologia, quebramos barreiras locais e criamos individuos acostumados com as trocas globais de valores culturais. A internet nos oferece uma estrutura conectiva mundial, mas quais valores culturais estão nessas trocas? Qual o conteúdo dessas redes sociais?

“Qual material faz a sarrafa?”

Esse diálogo em rede existe quando compartilhamos histórias e, assim, construímos narrativas digitais. Para entrar na comunicação em rede, instituições (empresas, governos, entidades civis) precisam contar suas próprias histórias, criar suas narrativas, dando assim valor cultural para seus públicos agregarem aos seus próprios enredos sociais.

O que as redes fazem com nossos cérebros?

Nossa memória e nossa atenção estão cada vez mais fragmentadas e divididas. E isso tem a ver com o modo como nos relacionamos com a tecnologia. Estamos, por exemplo, perdendo nossa capacidade de imersão. Com a quantidade gigantesca de dados gerados na internet em tão curto tempo, nossos cérebros podem ter cada vez mais dificuldade de armazenar mensagens.

Consumimos muita informação, mas consumimos superficialmente. Sem manter laços emocionais de longo prazo, torna-se difícil gravarmos mensagens. Com isso, cada vez mais, nossas memórias estão sendo transferidas para as redes sociais. Guardamos ali histórias e relações que talvez nosso cérebro não consiga armazenar. Uma ilustração de um caso (extremo) é a do vídeo de Stories do Facebook, apresentado no evento, e que você pode assistir clicando aqui.

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