UMA VIDA SEM PRECONCEITO

Nossa colega Eduarda Nordio Maciel, 19 anos, a Duda, namora há 7 meses o Rafael que é deficiente auditivo. Ela não se importou em aprender libras pela pessoa que ama e até virou  DJ em uma festa de surdos. Nós convocamos 5 pessoas da agência para fazer perguntas e convidamos ela para ensinar algumas expressões pra gente.

Por Larissa Magrisso - Como vocês se conheceram?

Duda – Foi pelo  Facebook. Eu estava solteira e estava ali olhando uns gatinhos e vi que a gente tinha um amigo em comum que era o tatuador. Mandei convite de amizade e ele confirmou e foi assim.

01- Oi

“Oi”

Por Isa Silveira – Como ficou sabendo que ele tinha deficiência ?

Duda –   Eu tava olhando no face, e eu vi que ele estudou no Concórdia que é uma escola especial e eu perguntei se ele era surdo e ele disse que sim. Ele já me perguntou quando a gente ia nos encontrar e eu falei que não sabia libras. Ele falou que oralizava um pouco, porque existem surdos chamados surdos oralizados, que escutam um pouco.

02---tchau “Tchau”

 Por Isa Silveira - Como foi o primeiro encontro?

Duda –   Quando eu descobri que ele era surdo eu comecei a aprender o abecedário por mim mesma e eu sabia fazer meu nome em libras. Quando a gente se encontrou, ele foi lá em casa, minha mãe e minha irmã estavam, foi bem estranho. Como ele é surdo, ele não fala igual a gente. Ele fala estranho como todos os outros, e aí de primeira eu falei “Quê????”.  Quando a gente não entendia o que o outro dizia, eu escrevia no celular e mostrava pra ele. Depois eu aprendi o abecedário e ficou mais fácil pra gente se entender.

04---desculpa

“Desculpa”

Por Larissa Magrisso - O que fez você se apaixonar por ele?

Duda –  O jeito dele, porque a deficiência não diz nada, não tem diferença nenhuma. O que atrapalha é que, às vezes, estamos conversando e o jeito dele conversar é muito diferente das outras pessoas, porque ele não conhece bem as palavras e isso dificulta – principalmente quando estamos no telefone. E o que fez eu me apaixonar é que ele é carinhoso. É o namorado que eu sempre quis.

07---I-L-Y-(eu-te-amo)

“Eu te amo”

Por Isa Silveira- Que momento você sentiu a necessidade de estudar libras?

Duda –   Eu fiz um curso de 5 meses, porque eu conhecia ele e aí eu percebi que na família dele ninguém sabia nada. A mãe dele até sabia um pouco. Quando ele era pequeno, usou aparelho por um tempo e daí o aparelho quebrou. Acho que a partir dos 13 anos ela parou de usar sinais e começou a gritar para ele entender. Daí se ele fala, eu entendo, mas se eu falar, ele não entende porque não é tudo que eles entendem por não ouvirem.

08---eu-te-amo-universal

“Eu te amo Universal”

 Por Lucas Carniel - Como foi aprender Libras?

Duda – Não é fácil. É mais que uma língua, é uma linguagem com mãos e expressões faciais. Tua expressão faz muita diferença. Mas depois que tu começa a aprender, ajudar os outros, ensinar algumas coisas, é gratificante.

13---almoçar

“Almoçar”

Por Laura Borges – Quando tu precisa dizer algo muito muito específico para ele e não consegue expressar na linguagem dele, como faz? Não fica a sensação de que falta dizer algo para ser entendida por completo?

Duda – Sim, acontece isso. Tem muita coisa que ele não entende… mas eu consigo me comunicar com ele. Tem coisa que nós entendemos, que é muito básica, que eles não entendem. Uma vez a gente tava conversando sobre História e eu estava explicando para ele que lá não-sei-onde tinham uns garimpeiros que usavam peneira para pegar os diamantes e ele perguntou: “Peneira?”. Aí eu me levantei e fui na cozinha e mostrei uma peneira para ele e ele entendeu. Outro dia eu saí com ele e mais três amigos surdos. Um deles comprou uma revista de signos e cada um leu o seu signo, e depois de lerem me perguntaram o que significava a palavra “intimidade”. Daí me quebrou! Porque tem muita palavra que eles não entendem. Por exemplo, quando eu estou vendo filme com o Rafael e ele para o filme e pergunta o significado de alguma palavra. Eu tento explicar, aí se eu não sei e eu vou procurar no dicionário e mostro pra ele.

03---por-favor

“Por favor”

 Por Leo Prestes – Todo casal tem apelidos, piadas internas, essas coisas que só fazem sentido pra eles. Como isso funciona em libras?

Duda –  No nosso namoro a gente faz o “amor” (Duda mostra o sinal em libras). E em libras, amor e  amar é o mesmo sinal. Fora isso, quando tu começa a aprender libras, tu é batizada, entra no clube: a gente ganha um apelido, que é um sinal que te representa. O meu sinal é a letra E, de Eduarda, e mais esse sinal ( Duda coloca a mão em posição de garra e balança como se fizesse um ziguezague no ar, ao lado da cabeça)  porque meu cabelo lavado e sem chapinha é assim meio crespo. Já o Rafael é a letra R e esse sinal (Duda cruza os dedos indicador e médio e toca com as pontas nas duas bochechas),  porque quando ele era pequeno, tinha as bochechas rosadas, e foi sua professora que colocou esse apelido. Mas como namorados a gente só tem o “amor”e ele me chama de “vida” (Duda mostra as duas palavras em libras).

06---obrigado

“Obrigado”

Por Lucas Carniel- Qual foi a adaptação mais desafiadora?

Duda –  Foi no clube do surdos, o SSRS (Sociedade Surda do Rio Grande do Sul). Quando eu entrei no clube ninguém falava, somente a secretária que é casada com um surdo. Foi bem difícil porque eu só sabia o abecedário e eu fiquei de canto. Aí eu comecei a atacar as pessoas e fazer em libras “Oi tudo bem?! Posso conversar? Sou ouvinte, a namorada do Rafael”. Começou assim, foi difícil no início poque eu ficava muito sozinha quando a gente saía com os amigos dele. No último churrasco, eu conversei com todo mundo porque agora ficou mais fácil.

12---boa-noite

“Boa noite” 

Por Victor Rodrigues- Como é ser Dj em festa de surdos ?!

Duda – É bem legal. Eu só tava ajudando na festa no clube e eu tinha levado meu pen drive porque eu tenho bastante música eletrônica. Nesse dia, eu estava aprendendo a mexer nos aparelhos com o Rafael, aí o responsável pela festa pediu para eu seguir e eu continuei tocando. Surdo gosta mais de música eletrônica porque o que é importante para eles é sentir aquele “tum, tum”, aquela batida. Já que eles não têm a audição, eles têm a sensibilidade muito maior para a vibração. Aí tem uma mulher que não escuta nada e sempre que toca alguma música ela me pergunta qual o tipo que tá tocando: “Pagode? Sertanejo? Funk?”. Ela fica na dúvida porque pagode não tem vibração nenhuma.

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“Porto Alegre”

Por Victor Rodrigues - Como a sociedade vê teu namoro ? Tirando a parte de adaptação, mas a parte de socialização ?

Duda – Ah, parece que somos duas aberrações! Por exemplo, no ônibus, geralmente nós sentamos nos assentos que são um de frente pro outro. No início, eu lembro que eu falava ao mesmo tempo que usava libras, e depois eu parei de oralizar. Chegou a um ponto que eu sempre percebia que as pessoas olhavam… Uma vez tinha umas gurias que olhavam pra nós e se olhavam com estranhamento.

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“São Paulo”

 Por Isa Silveira – Para quem não sabe nada de Libras, como a gente deve se portar com um deficiente auditivo?

Duda – Supondo que venha um surdo aqui na empresa, e eu esteja de intérprete. Se eu chegar e começar a fazer a interpretação, vocês não podem fazer a pergunta pra mim, mas pra pessoa com deficiência, mesmo que ele não escute nada. Tu tá falando com ele e não comigo. E mais uma dica: nunca chamá-los de “mudinho”, porque eles não são mudos, mas sim deficientes auditivos

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“W3″

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Quem ainda tem medo da internet?

por Magali Moraes, diretora de criação.

Desde que a Maga veio pra W3, já perdeu a conta de quantas vezes alguém que compartilhou com ela o mercado publicitário tradicional perguntou curioso sobre a transição do off para o online. Agora ela conta pra todo mundo.

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Quem ainda tem medo da internet?

Um vizinho meu da praia tem.

Numa tarde calorenta nas últimas férias, a gente de boa na piscina, ele confessa que tem medo de comprar online. Em fevereiro de 2015!
Entenda nosso grau de intimidade: tínhamos acabado de ser apresentados na constrangedora versão biquíni-sunga, já estávamos mesmo dentro da água, então me senti à vontade pra fazer uma lavagem cerebral no cidadão e vender as maravilhas digitais. Talvez fosse saudade inconsciente do trabalho ou apenas incredulidade – como encontrar alguém que nunca comeu chocolate.

Se ele AINDA não curtia uma comprinha online, nunca havia saboreado a delícia de conseguir uma passagem aérea com descontão na madrugada, não sabia que o simples fato de colocar um produto no carrinho e não levar gera ofertas no email… que outros prazeres o meu vizinho se privava? Um viral engraçado e relaxante? (mas o cara era médico, podia achar que eu estava desvirtuando a conversa pra área da saúde). Notícias em primeira mão, minuto a minuto, que amanhã vão estar na capa dos jornais? Stalkear seus pacientes no Facebook? Como não explicar que a rede mundial de computadores é terra de ninguém e de todo mundo? Onde as minorias se agigantam com um post bem mandado? Onde as revistas mensais femininas descobriram faz tempo que mulher nenhuma aguenta esperar um mês pra conversar e se jogaram com elas no Insta, compartilhando foto até da editora cozinhando pro namorado? E que no meio do joio www tem trigo, sim, é só saber procurar?

Aquele homem tinha cara de boa pessoa, eu precisava mudar sua visão antes dele se interessar pela bunda da outra vizinha (a minha estava submersa, obviamente). Mesmo de férias e precisando desconectar, eu não aguentei e disparei tweets, ops, argumentos um atrás do outro.

Medo de dar CPF? Ô chefia, esse número que já foi sagrado e secreto hoje é repetido pro frentista, caixa do supermercado, moça da farmácia. Um hacker pode estar atrás na fila, o ambiente digital é muito mais seguro!!
Medo de pagar contas pela internet? Vem cá, e se eu disser que dá pra imprimir o comprovante e grampear no carnê?

Nisso, um casal a 20 metros dali mergulhou seu smartphone embalado numa capinha plástica pra tirar foto submersa (o pau de selfie não estava presente, obrigadadenada). Apontei e disse: meu amigo, o povo não desgruda do celular nem pra entrar na piscina! Mobile é vício e vida. Por dia, imagina quantos milhares de celulares caem dentro do vaso sanitário porque o banheiro é a melhor zona wi-fi que existe?

Talvez pra se livrar de mim, ele prometeu quebrar o tabu e o limite do cartão na web. Daí, eu fiquei pensando nos clientes que sucumbiram ao WhatsApp pra conversar com os amigos mas ainda desconfiam do digital pra conversar com seus consumidores. As redes sociais são o último capítulo da novela todos os dias. É lá que o assunto tá quentinho (ou a falta dele). É no ambiente digital que vivências incríveis de marca acontecem e fidelizam.
Quando eu trabalhava com offline séculos atrás (mentira, 2 anos que parecem anos-luz), achava o máximo quando um comercial meu era comentado num almoço de família por seres humanos que desconheciam briefings, brandings e outros palavrões. E continuo achando, só que agora tenho isso o tempo todo. O retorno vem rápido, doa a quem doer. Comentários pipocam insanos nesse grande tricô que são as redes sociais.

Por que esperar o próximo aniversário do tio para ver se algum parente fala do outdoor com aplique? E se a tia com bexiga caída levantar da sala no intervalo da novela pra fazer xixi, não dá nada. No Youtube é sempre horário nobre. Se o vídeo for relevante, já foi até compartilhado pelas amigas da caminhada e deve estar esperando na timeline dela.

Com licença para uma terapia in real time: quando eu decidi sair do meu sofá profissional (que era bem confortável) e me joguei nesse chão de almofadões que é o digital, foi muito mais que trocar de emprego. Foi trocar de mindset e colar no consumidor. Por mais que eu gele quando o pessoal de métricas questiona se aquela interatividade vai atingir os KPIs ou alguém prova que o consumidor não clicou onde devia, não engajou e tem que mudar, eu prefiro essa incerteza que vem dando certo por me desafiar incansavelmente. A humildade necessária pra aprender e crescer, sabe como? Passar do off pro on foi o intercâmbio que eu não fiz aos 15. E continua sendo. Alternando o gostinho do desconhecido e a alegria das descobertas com dias em que dá tudo errado e bate saudade da terrinha segura. Até o dia em que a gente respira com mais facilidade no ar rarefeito, entende melhor a nova cultura, se pega falando uma expressão local com quase naturalidade, não se sente mais tão outsider e nem pensa mais em voltar.

Mas e o meu vizinho, hein. Será que ele perdeu o medo?

Eu já.

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Largou tudo e foi para a África

Antônio Soletti, o Solettinho, tem 29 anos e é ex-redator da W3. Ele sempre curtiu viagens da categoria “indiada”, mas dessa vez ele foi além e fez uma aventura desafiadora e diferente.

 

Sério? Como assim? Mas por quê?

Essa era a reação de todas as pessoas quando eu contava: vou viajar e viver na África por três meses.

Sempre fui adepto de viagens da categoria “indiada” (programa no meio do mato), mas dessa vez eu queria uma aventura um pouco mais desafiadora. A ideia surgiu por basicamente dois motivos. Primeiro, porque eu desejava muito viajar sem me preocupar com o tempo, sem ficar preso aos 30 dias contadinhos de férias. E, segundo, porque eu queria fazer algo que fosse completamente diferente de tudo que já havia feito na vida, dentro ou fora da publicidade.

Foi aí que resolvi pesquisar possíveis destinos. Comecei pela África e não consegui mais tirar a ideia da cabeça. A cada país pesquisado, mais eu me surpreendia e me encantava. Descobri que eu era tão ignorante em relação ao continente africano quanto um americano é sobre o Brasil. Só pra se ter uma ideia, são mais de 50 países, onde se pode encontrar desde desertos inóspitos até florestas tropicais, desde praias paradisíacas até montanhas nevadas. Sim, existe neve na África!

Descobri também alguns programas de trabalho voluntário. Achei interessante e resolvi arriscar. Decidi fazer dois deles na África do Sul e usar o tempo restante para conhecer alguns países vizinhos.

E assim eu parti, morrendo de medo e com o ebola bombando. Jamais vou me esquecer da sensação de pânico ao cruzar o portão de embarque. Só conseguia me lembrar da velha enxurrada de perguntas: Sério? Como assim? Mas por quê?

Corta a cena, e lá tô eu feliz da vida na África do Sul. O primeiro projeto foi incrível. Perto de Johannesburgo, ajudei no dia-a-dia de uma game reserve, que nada mais é do que uma grande fazenda cheia de animais selvagens. Lá eu fiz de tudo: juntei muito cocô de elefante, alimentei leões, carreguei zebra anestesiada, construí algumas cercas e também uma nova casinha para os filhotes de leão. Além disso, bati um papo despretensioso com dois atores de “Ataque dos vermes malditos V”, que estava sendo filmado no local. Não faço a menor ideia de quem sejam.

Soletti e o filhote de leão

Um dos momentos mais legais do trabalho voluntário: alimentar os filhotes de leão e tirar uma selfie com eles. =)

Logo na sequência comecei minhas longas jornadas de trem e de ônibus pela África. Fiz couchsurfing em Durban e em Port Elizabeth até chegar à linda e incomparável Cidade do Cabo. Lá, iniciei meu segundo trabalho voluntário: ajudar professores de educação física em uma escola da periferia. Impossível esquecer aquele bando de crianças sedentas por carinho e arrancando todos os chaveiros da minha mochila logo no primeiro dia. Mas eu juro que adorava elas. Ali, comecei a entender que na África as pessoas não precisam de muito para serem felizes. E não falo só de dinheiro. Aprendi que levantar uma criança pelos braços pode ser o momento mais feliz do dia dela. E que uns poucos segundos da minha atenção podem arrancar dezenas de sorrisos cheios de admiração. Simplesmente inesquecível.

Com o fim dos projetos, parti para o segundo e mais complicado estágio da trip: desbravar Namíbia, Botsuana, Zimbábue, Zâmbia e Tanzânia, viajando como um bom africano. E foi aí que comecei a conhecer a África de verdade. Ali encontrei pessoas de todo tipo, escutei muitas histórias durante as longas viagens e também vivi o cotidiano simples porém alegre daquelas pessoas. Não foi nada fácil, mas pra minha felicidade consegui conhecer grande parte dos lugares que havia traçado no meu roteiro imaginário.

Felicidade nas pequenas coisas !

Tazara: o trem que liga Zâmbia e Tanzânia faz uma das suas inúmeras paradas perto de um vilarejo. Essa viagem levou 52 horas.

Viajar pela África de ônibus, trem ou até mesmo de carona depende muito de tempo, paciência e sorte. Os horários e as rotas são escassos, os países são mais extensos do que a gente imagina, as estradas são ruins e têm trânsito perigoso, os imprevistos acontecem a toda hora e você nunca sabe como é o lugar onde vai desembarcar, muito menos o horário. Por outro lado, as viagens são baratas e você sempre vai encontrar alguém que fala inglês e que está disposto a ajudar. Em Botsuana, por exemplo, conheci um senhor que cruzou a fronteira de balsa comigo, me esperou na imigração, trocou dinheiro pra mim, me acompanhou até a porta do hostel e ainda deixou o endereço pra eu ir visitar a família dele no dia seguinte.

Durante 45 dias, andei por desertos, rios, cataratas, ilhas, montanhas, vulcões, savanas, florestas, cidades e tribos. É impressionante a quantidade de parques nacionais e reservas ecológicas que surgem pelo caminho. Mas o que todo mundo deve estar louco pra me perguntar agora é: afinal, qual o lugar mais incrível que existe por lá, meu filho? Eu sempre repondo: depende do que cada um gosta. Dentro do meu coração guardei três lugares que são igualmente incríveis, mas com perfis e sentimentos diferentes.

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Sossusvlei, na Namíbia: um deserto tão quente e seco que nem as bactérias sobrevivem para decompor as árvores mortas há centenas de anos.

O primeiro deles é a Cidade do Cabo, ou Cape Town. Deslumbrante e um verdadeiro paraíso para os aventureiros, a cidade não tem nada a ver com o resto da África. Mas existem tantas coisas para fazer por lá, que eu moraria tranquilamente muitos anos nessa cidade. Mergulhar com tubarões brancos, visitar os pinguins em Simon’s Town, subir a Table Mountain pelas suas diversas trilhas, degustar vinhos em Stellenbosch, curtir a fantástica praia de Camps Bay e ir até o Cabo da Boa Esperança pela belíssima estrada Chapman’s Peak são apenas alguns exemplos que já consumiriam no mínimo uma semana de viagem.

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Cidade do Cabo: Table Mountain vista de outra montanha, a Lions Head. À direita, a lindíssima praia de Camps Bay.

O segundo lugar que eu jamais vou esquecer é o desafiador Kilimanjaro, na Tanzânia. A montanha mais alta do continente africano, com 5.895 metros de altitude, é linda e ao mesmo tempo desgastante. Chegar no topo depois de quatro dias caminhando e ver o sol nascer é algo indescritível, mesmo que você tenha pouquíssimo oxigênio no cérebro e esteja rastejando de cansaço. Chuva, neve, frio e falta de ar levam o corpo e a mente ao limite. Não é só uma escalada. É uma experiência surreal. Além de ficar seis dias sem banho, claro.

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Kilimanjaro: o topo da montanha mais alta da África, a 5.895 metros de altitude, visto do último acampamento-base.

E o terceiro foi Ngorongoro, que é, nada mais nada menos, a cratera de um vulcão adormecido cheia de animais selvagens vivendo num ecossistema em perfeito equilíbrio. Leões, búfalos, elefantes e todos os tipos de animais vivem dentro desse grande buraco, que mais parece a Arca de Noé ou um zoológico. Quando entrei na cratera, parecia que eu estava num templo mágico da natureza ou gravando aqueles programas da NatGeo. Até agora não consigo acreditar como tudo aquilo se formou e como aqueles animais foram parar lá dentro. É a África na potência máxima.

Ngoro

Ngorongoro: a cratera vista de cima. Lá embaixo, leões, búfalos, hipopótamos, elefantes e muitos outros animais disputam espaço e comida.

Eu poderia escrever um livro sobre essa aventura aqui no blog da W3. Faltou contar muita coisa, inclusive que o presidente da Zâmbia morreu enquanto eu estava lá e criou um caos nos meus planos. Mas, como a pauta de todo mundo tá pegando, simbora trabalhar. Afinal, é o trabalho que vai financiar a loucura que cada um está disposto a viver. Quanto a mim, ainda não tenho em mente uma nova viagem. Mas descobri que tenho uma nova missão: inspirar mais pessoas a viverem seus sonhos o mais rápido possível. E se mesmo depois deste texto você ficou em dúvida ou com medo, é só dar uma olhadinha no vídeo que eu fiz pra resumir toda essa jornada. 

Já consigo até imaginar você respondendo às perguntas: Sério? Como assim? Mas por quê?

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W3haus cria novo filme da campanha da LG “Miniconsultores”

A W3haus assina o quinto filme da campanha digital “Miniconsultores” para a linha de smart TVs LG. A série de seis filmes destaca as tecnologias de última geração da LG sendo testadas por crianças. Neste último vídeo, os pequenos são “consultores” dos adultos e mostram como é simples o uso do sistema operacional para televisores da marca, o webOS. A peça tem veiculação no Youtube.

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W3haus tem novo vice-presidente de criação em 2015

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Moacyr Netto, conhecido também como Moa, é o novo vice-presidente de criação da W3haus, agência digital independente. Moa deixou a Ogilvy Brasil, onde era diretor de criação.  Na W3haus, o criativo ficará responsável pelas áreas de criação, User Experience (UX) e W3labs (um laboratório que cria e dissemina inovações tecnológicas em todas as áreas da agência).

Moa chega à agência para fortalecer as entregas criativas e ser uma referência para a equipe. “É um profissional premiado, reconhecido pelo mercado, com experiência tanto no digital como no offline – um ambiente em que estamos cada vez mais presentes. Mas a nossa escolha pelo Moa vai muito além disso, porque ele é um cara totalmente do bem, que tem o perfil da W3haus, com inovação no seu DNA e que foi se aperfeiçoar em liderança criativa porque acredita que a construção colaborativa é a forma mais eficiente de se entregar uma criação de qualidade”, destaca Tiago Ritter, CEO da W3haus.

Além da Ogilvy, Moa passou por AlmapBBDO, AgênciaClick, DM9DDB e NBS. Em seu currículo, possui mais de 120 prêmios como redator em todos os principais festivais de propaganda do mundo, como Cannes, One Show, D&AD, London e Clio. Também foi jurado em diversos prêmios como Cannes, Londres, Fiap e El Ojo.

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Nós estamos dentro da Hora do Código!

Movimento que acontece em dezembro no mundo todo, acontece também no NCGroup

Bill Gates, Mark Zuckerberg e até o Will.I.am já disseram que saber linguagem de programação é essencial para o futuro das pessoas.

Como a nossa ideia é ser um grupo cada vez mais responsável, engajado e inovador, o Nonconformity Group vai apoiar o Hour of Code, um movimento internacional que quer expandir o ensino da ciência da computação nas escolas e para o público em geral. A ideia da Code.org, organização que encabeça esse movimento, é desmitificar a programação e mostrar que qualquer pessoa pode aprender a programar.

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De 8 a 14 de dezembro, o Code.org vai organizar o que eles estão chamando de “O maior evento de aprendizagem em programação da história”. Esse movimento já alcançou mais de 15 milhões de pessoas na Hora do Código do ano passado e este ano promete fazer arrasar também aqui no Brasil.

Por isso, nós vamos promover workshops de Linguagem de Programação para mais de 90 funcionários do grupo. A primeira edição acontece na sede da W3haus em São Paulo, no dia 11 de dezembro.

“Aprender a programar ajuda não só na execução de plataformas digitais, mas na organização do pensamento e do raciocínio lógico. Será tão importante no futuro como falar outros idiomas.”, é o que acredita nosso CEO, Tiago Ritter.

O curso vai ser ministrado pela desenvolvedora back-end Inajara Leppa, da Huia (produtora digital do NCG), com o apoio de Tiago Niederauer e Paulo Araújo da W3labs (área de inovação da agência). A Ina está engajada neste projeto da Hora do Código desde 2013 quando ensinou programação para diversas pessoas, incluindo alunos de uma escola pública em Guaíba-RS.

Bora programar, povo!

 

 

 

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Ensinando linguagem de programação

por  Inajara Leppa, desenvolvedora back-end da Huia

A Inajara se engajou na iniciativa de ensinar linguagem de programação no ano passado, na cidade de Guaíba, onde ela mora, e esse ano vai ensinar também para os colegas do Nonconformity Group. E nós desafiamos a Ina a escrever sobre programação e como tudo isso começou…

Como eu comecei a ensinar programação

No ano passado eu estava em uma palestra da pós-graduação e o palestrante falava sobre desafios pessoais e que deveríamos investir nos nossos sonhos. Naquele momento tive o impulso que eu precisava para dividir o conhecimento que eu tinha e ensinar pessoas a programar. Assim que cheguei em casa, fui procurar algum site de referência e encontrei o code.org, que é um portal do movimento mundial de ensino da programação cujo o lema é “Qualquer um pode aprender a programar”.

Isso aconteceu no final do ano passado e, coincidentemente, em dezembro aconteceria a Semana do Código em que qualquer um que tivesse noções de programação poderia ensinar outra pessoa e assim fazer parte do movimento. Pronto! Eu já tinha um incentivo! Comecei a pensar em locais que eu poderia realizar as oficinas, em escolas, na minha própria casa… Até que decidi realizar na escola que eu me formei em 2009 e onde comecei a aprender sobre programação, a Escola Técnica Dr. Solon Tavares, em Guaíba (RS). Entrei em contato com uma professora e ela adorou a ideia e no dia 14 de dezembro eu ministrei a primeira oficina. Foi muuuuuuuuito legal, o feedback do pessoal foi muito positivo e pra mim foi uma grande realização. ;)

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A Hora do Código

No ano passado o movimento Hora do Código foi muito grande lá fora e teve apoio de muitas pessoas famosas como Mark Zuckerberg, Bill Gates, Will.i.am, entre outros. Aqui no Brasil não se ouvia falar muito sobre esse assunto, apenas alguns lugares isolados e pessoas (assim como eu) se interessaram em passar o conhecimento dessa habilidade que faz com que você possa criar coisas incríveis! Mas esse ano o evento se repete e espero que tenham muitas e muitas empresas e pessoas que se engajem nessa ideia e que percebam que programar é o futuro.

Uma amiga minha sempre diz que “Programar é poder”, e eu concordo com ela. A programação dá poder de criar coisas e de melhorar a vida das pessoas. Quem aprender a programar hoje, vai estar um passo a frente amanhã.

Porque é importante saber lógica de programação mesmo que você não queira ser um programador.


Lógica de programação ajuda a pensar de uma forma mais lógica, isso pode parecer redundante, mas é exatamente isso o que acontece. Quando se está em frente a um problema e você precisa resolvê-lo, saber lógica vai ajudar a pensar na melhor forma de solucionar.

Sem perceber, as pessoas já utilizam a lógica no seu dia a dia. Quando você vai atravessar a rua e só atravessa quando o sinal estiver fechado, está sendo utilizada lógica. Existem muitos benefícios em aprender programação como a estimulação do raciocínio, da criatividade e do pensamento crítico.

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Lógica de programação desde os primeiros anos de vida de uma pessoa.

Quando somos crianças, aprendemos as coisas muito mais rápido do que quando somos adultos. Crianças que hoje têm entre 0 a 5 anos de idade, já nasceram na era tecnológica, costumam brincar com jogos em tablets e celulares ou seja, já têm intimidade com a tecnologia. Pois a programação também deveria fazer parte. Já há no mundo crianças desde os 6 anos estão criando aplicativos e sites para suprir as mais básicas necessidades, e esse deve ser o futuro.

Através de sites interativos, é possível inserir este conhecimento no dia a dia das crianças de uma forma divertida. Em alguns países a programação já faz parte do currículo escolar e logo essa também será uma realidade no Brasil.

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A programação é o novo Inglês (quem não souber o mínimo pode ficar para trás).

Mesmo que você não vá falar com clientes em inglês, trabalhar diretamente com este idioma, o mercado pede para que você saiba o mínimo, como uma necessidade básica. Agora que a tecnologia está expandindo e pode ser aplicada em qualquer área, ter noções mínimas de programações no seu currículo será um diferencial.

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E para fazer parte do movimento o NCGroup promove, neste dia 11 de dezembro, o workshop linguagem de programação na sede da agência em São Paulo, que vai ser ministrado pela Inajara com o apoio do Nieder e do Fofo. ;)

 

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Sobre ser olhos, ouvidos e <3 das leitoras de Viva Linda no SPFW

por Bárbara Souza, repórter e redatora do portal Viva Linda

O dia a dia da redação do portal Viva Linda é uma correria só. Mas nada comparado à cobertura de um evento. No início do mês, a Babizinha, nossa repórter e redatora, debutou em uma cobertura de São Paulo Fashion Week e conta aqui pra gente como foi essa muvuca.

Um dia quando era criança minha mãe me perguntou se eu tinha alguma preferência de escola para estudar. Sem pensar muito, respondi com outra pergunta: pode ser na escola de samba? Eu até gostava de dançar, mas não gostava muito de samba, tampouco de carnaval, o que me atraia naquele lugar era mesmo as pessoas que, da janela do carro do meu pai, pareciam muitas e cheias de energia. Pode parecer uma analogia bastante estranha mas, para mim, passar uma semana trabalhando no São Paulo Fashion Week tem o mesmo tempero que eu queria para os meus dias na infância: gente e movimento – muitas coisas acontecendo.

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Sim, o evento é de moda, trata de beleza, mas tem como ingrediente principal a essência vibrante das tantas pessoas diferentes que passeiam pelos corredores, lounges e passarelas. Uma mistura de estilos e personalidades (e põe personalidade nisso!) que provam: cada vez mais a moda é feita de gente, do que elas pensam e vivem, e há tempos deixou de ser algo estanque que dita o jeito que as pessoas devem ser. A regra agora é simples: ser você mesmo. E a cada passeio pelos corredores essa impressão se confirmava.

Muita gente, muita coisas acontecendo e tudo muito ao mesmo tempo. (Quando, afinal, teria a experiência – e oportunidade – de fazer quatro matérias ao mesmo tempo?) Pessoas reais nos corredores, vivências em lounges, bate-papo na área aberta, lanche nas food trucks… incrível como a passarela foi só mais um encanto do evento.

Na sala de imprensa, uma verdadeira dança das cadeiras acontecia. Era correr para cobrir, sentar para escrever, correr para entrevistar, sentar para escrever, correr para observar, sentar para escrever, num movimento cerebral louco de colher e materializar todos aqueles conteúdos numa velocidade bastante incomum. Sempre ao som extremamente alto e vibrante dos desfiles que aconteciam na sala 1, ao lado da sala de imprensa.

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E se trabalhar no SPFW já foi de uma gostosice só, trabalhar no SPFW “sendo O Boticário” foi melhor ainda. “Oi, com licença, meu nome é Bárbara e eu sou repórter de Viva Linda com O Boticário” – incrível como essa frase tinha o poder de abrir um sorriso no rosto de quem fosse. Era como se as pessoas, automaticamente, me reconhecessem como uma amiga. E teria como ser diferente? O lounge de MakeB era como uma extensão do evento, a sala de estar das fashionistas, e foi por lá que a gente continuou se virando nos 30.

Tutoriais, entrevistas, cobertura dos bate-papos que aconteciam no lounge… aquele local virou a nossa segunda redação e a cena era sempre a mesma: enquanto as pessoas, fashionistas e blogueiras viviam aquele espaço incrível, a gente traduzia tudo aquilo em conversas  para fazer com que quem tivesse em casa vivesse tudo aquilo com a gente também. Vivi e senti como queria que cada leitora de Viva Linda vivesse e sentisse. E posso assegurar: foi muito, muito bom, ser olhos, ouvidos e coração das leitoras!


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O balanço? 40 horas de trabalho, 39 matérias publicadas em Viva Linda, 01 bloquinho de anotações acabado, pés cansados, amigos incontáveis, risadas infindáveis e um coração transformado. E espero que assim tenha sido, independentemente do grau, para quem levamos ao SPFW nessa incrível mala chamada Viva Linda. <3

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“Leiauteando” a oficina que quer levar a direção de arte para todos

por  Thiago Padilha, diretor de arte na W3haus

Que a W3haus é uma celeiro de talentos, isso não é novidade. Novo é que muitos desses talentos resolveram compartilhar seus conhecimentos por aí. E mais novo ainda é o curso que o Padilha vai dar na semana que vem.

 

A pilha é transmitir conhecimentos básicos de design e direção de arte para quem não trabalha diretamente com isso, mas que sofre para demonstrar suas ideias de maneira visual. Não precisa chorar não, com algumas dicas e sem dor dá pra fazer as ideias voarem, ficando ainda mais bonitas. Há uma busca quase espiritual por sintonia visual do que somos, sentimos e expressamos verbalmente. Levando em conta, neste caso, o meio digital por onde flui a nossa mensagem todos os dias.

 O amor e cuidado que rola na concepção criativa de nossas ideias e no raciocínio das informações que queremos passar adiante pode se perder no momento de tirar do “papel” e colocar na “tela”. É como quando você imagina o que dizer pra quem ama, mas na hora gagueja e acaba falando o que não gostaria. Pequenas noções de design podem salvar uma apresentação, ajudar a vender melhor o seu peixe, criar uma identidade bacana da sua presença visual nas redes sociais e até fazer aquele “convite” de aniversário encher os olhos.

Onde essa ideia nasceu?

 A oficina ganhou vida na W3haus inspirada pelo universo de empatia que a agência tem. Já tinha o projeto há um certo tempo e um dia acordei disposto a pôr ele em prática, chamei uma amiga e colega de trabalho (Fernanda Maciel) para ser minha dupla de coração na condução dos encontros e montei uma apresentação “vendendo” a oficina da maneira mais “leve” possível, brincando com o assunto e deixando menos polêmica a direção de arte. Leveza é a primeira dica da oficina. Direção de arte é como um artesanato, se você pesar a mão o material pode se quebrar e uma boa ideia pode ir fora

;)

A turma contava com profissionais de social media, planejamento, tecnologia, criação, mídia e atendimento o que deixou ela ainda mais rica. A aproximação de várias áreas é positiva e quando você se aproxima do conhecimento da direção de arte cria um novo braço, uma nova lógica para comunicar o que trabalha, pensa, sente. A experiência da oficina foi toda muito divertida, as dificuldades comuns a quem não trabalha com design foram perdendo o caráter fantasmagórico tradicional virando grandes oportunidades para os oficineiros perceberem o quão normal é encontrar limitações na hora de se expressar visualmente em meios digitais. Uma das nossas inspirações foi o cantor Naldo Benny, o som dele foi frequente nas aulas e suas fotos ilustraram muitas das lições das aulas.

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 Semana que vem vai rolar uma oficina de duas noites seguindo os moldes de empatia que fizeram ela surgir na W3, porém com muito mais exemplos, possibilidades e um exercício prático bem divertido no final. Vem-ca-gente!! Juliana está desmaiada, vai ter momentos relaxantes ao som de Naldo (laboral), gente bonita aprendendo a layoutar a vida. Utilizamos técnicas inspiradas nas “correntes” que nossas tias mandam por email, tipo, o que você aprender precisa passar pra mais 10 pessoas (não sei se funciona, mas vai ajudar a não esquecer o conteúdo da oficina).

 

Mais infos da oficina : http://bit.ly/1Et6d99

Vamooo!!

 

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Game On

por Sílvio Teixeira, gerente de projetos da Huia

9 entre 10 meninos que viveram os anos 80 e 90 adorariam ter uma máquina de fliperama para chamar de sua. Pois esse sonho virou realidade na sede da W3haus/Huia em Porto Alegre. Graças à determinação, longas madrugadas e conhecimentos em marcenaria, serigrafia, elétrica, eletrônica e pintura, um grupo de colegas transformou uma  velha carcaça tomada de cupins na diversão da turma na hora de desestressar. 

A ideia era gerar uma mudança de ares na empresa. Algo que permitisse a criação de um ambiente mais descontraído, menos formal. A formalidade nunca foi mesmo uma das nossas características principais, até porque sempre entendemos que o desempenho está fortemente ligado ao quanto nos sentimos bem no nosso local de trabalho.

A etapa de brain foi divertida e muitas ideias surgiram. Uma delas veio de nosso amigo Rodrigo “Sacer” de São Paulo. Nem todo mundo sabe, mas “Sacer” não é nome ou sobrenome do Rodrigo, mas um nick proveniente da época em que ele virava noites em jogos estilo Dungeons and Dragons, e seu personagem favorito era um sacerdote, que acabou por emprestar uma identificação pela qual ele é conhecido até hoje. Reza a lenda que certa vez ligaram para a casa dele pedindo para falar com o “Sr. Rodrigo” e a empregada disse que não havia ninguém com este nome, quando então a pessoa remendou: “- O Sacer”, ao que ela respondeu com alegria: “Ah, o Sacer está sim!”, mas isso já acho que não é verdade.

A sugestão do Sacer foi que comprássemos uma máquina de fliperama. Nada destas traquitanas modernas, mas o bom e velho fliperama que foi parte da infância de tantos que hoje trabalham na nossa empresa. A ideia parecia boa, no entanto o valor que poderíamos gastar não era suficiente para adquirir uma destas máquinas. As poucas que existem no mercado são tratadas como raridades e seus donos colocam preços de acordo com sua afeição por elas e não por sua funcionalidade. Já estávamos quase jogando a toalha quando nosso colega Luiz Sordi (cujo nome é assim mesmo, não tem historinha não) encontrou uma destas máquinas para venda com um preço bastante baixo. O próprio anuncio já dizia “máquina com severos danos”. Pela observação do vendedor você pode imaginar o que se poderia esperar, e realmente não nos decepcionou! A máquina poderia passar facilmente por um amontoado de lixo. Ela estava completamente carcomida pelos cupins, larvas e outros animais que, acreditamos, não tenham sido catalogados ainda por qualquer biólogo. As opiniões divergiam entre comprar para reformar, desistir ou atear fogo (que inicialmente foi a sugestão mais aceita).

No final das contas o desafio foi aceito e compramos a máquina, ainda que sob o olhar desconfiado do vendedor, que não acreditava ter se livrado do encosto que mantinha guardado há tanto tempo. Era bem verdade que a placa eletrônica e o cinescópio (o tubo da tv) funcionavam, ainda que fosse necessário segurar alguns fios para que eles não encostassem uns nos outros, o resto era uma verdadeira incógnita.

Quando tentamos colocá-la dentro do furgão para trazê-la para a empresa, o primeiro revés: a parte do fundo se soltou, esfarelando nas mãos do prestativo Ongarato (nosso especialista para assuntos elétricos). Juntamos os pedaços e trouxemos para a empresa.

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A chegada não foi recebida com o apupo que julgávamos. A máquina não causava boa impressão e as apostas estavam em 5 por 1 de que desistiríamos antes de fazê-la funcionar, mas aqui é Huia, e nós estamos aqui para fazer o que nunca foi feito, ou na pior das hipóteses, refazer algo que estava se desfazendo…

A reconstrução da máquina foi um trabalho de muitas mãos, enquanto o Luiz Sordi jogava inseticida líquido por entre as frestas da madeira, tentando salvar o que fosse possível, o Ongarato separava a parte de baixo da máquina que não podia ser salvo, cortando a madeira com uma furadeira (serra é para os fracos). Em outra frente, o Silvio Teixeira (sim, este que vos fala, ou escreve no caso), vetorizava a logomarca para adesivar novamente a máquina que se esperava ver ressurgir das cinzas.

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A batalha estava sendo vencida pela máquina quando recebemos a ajuda inesperada do nosso colega Emil, que do nada apareceu com máquinas, maletas de ferramentas e uma habilidade só encontrada em profissionais do ramo da marcenaria. A partir dai o ânimo foi renovado e a máquina recebeu finalmente uma nova base e uma substituição das partes que não puderam ser salvas (e foram muitas!). Os botões foram trocados, a fiação foi refeita e aos poucos ela retomou a forma, o suficiente para vermos que estávamos no caminho. No entanto ainda faltava uma parte crucial do processo: ligar a máquina. Se ela não explodisse já estaríamos no lucro…

Conexões feitas, ligada na tomada, chave em on! Algumas coisas têm o poder de nos dar um nível de satisfação difícil de descrever. Quando aquela música inconfundível preencheu o ambiente, não ouvimos gritos, nem aplausos, nem palavras… Só sorrisos, e um tanto deste sentimento gostoso que enchia a gente de maneira incomensurável. Ela funcionava! É bem verdade que na tela do jogo os bonecos pareciam mais verdes do que deveriam, e que o alto-falante rasgado não dava conta da potência do som, mas estes detalhes passavam completamente despercebidos naquela madrugada alta, e não passavam disto, apenas detalhes que seriam resolvidos facilmente.

E assim foi, três demãos de tinta fizeram novos milagres. Os adesivos personalizados foram criados, impressos e recolocados, a iluminação, o som e as cores foram devidamente ajustadas. E algumas coisas ainda puderam ser melhoradas em relação ao projeto original, tal como o sistema de ficha que permite o funcionamento da máquina que foi mantido operacional, mas como alternativa foi instalado um botão para permitir o uso rápido e o controle de volume, que permitiu o uso da máquina sem atrapalhar quem estivesse trabalhando quase ao lado.

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O sucesso foi imediato, até selfie com a máquina o pessoal tirou para colocar nas redes sociais, enquanto que ao lado dela, um Xbox One desolado e abandonado era obrigado a ver a fila se formando de jogadores para uma rápida partidinha do ultimo lançamento do ano de 1996!

 

 

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O óbvio, as falhas e o real time: por que sua marca deveria estar pensando nisso?

por Vivian Jung, Planejamento da W3haus

A W3haus esteve no Facebook Brand Summit 2014, evento em que o Facebook  reuniu marcas e agências para discutir as tendências em comunicação no ambiente digital e na maior plataforma de mídia social do mundo. Vivian Jung, da nossa equipe de Planejamento, conta a seguir um pouco da sua visão sobre os pontos que mais chamaram a atenção no evento.

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Quem gosta de errar? A pergunta que abriu o Facebook Brand Summit 2014 parece ter uma resposta óbvia: ninguém. Mas é desse ponto que parte a discussão de como agir rápido, em versão beta, para estabelecer uma conversa com o target. David Droga (Droga5) abriu o evento dizendo que ama publicidade, mas que ela poderia fazer mais do que está fazendo. “Por que alguém se importaria com o que estamos fazendo? E com o cliente? O que estamos criando para conversar? Eu quero fazer coisas que de fato contribuam para a sociedade, que interessem os consumidores, não coisas bonitas ou criativas”. É preciso mudar a forma de chegar no consumidor, agir rápido e não ter medo de falhar. Mas como minimizar os erros da tomada de decisão real time?

“Eu gosto do óbvio”, disse David Droga. Porque o óbvio é de verdade. Se em real time não se tem muito tempo para avaliar, nem certezas sobre qualquer iniciativa antes do seu lançamento, existe uma forma de reduzir a chance de falha: falar o óbvio. Não das marcas, mas do consumidor. O óbvio é o contexto de vida das pessoas, é o que afeta suas realidades diretamente, é trabalhar falando disso porque isso é relevante. E se você estiver falando sobre algo em que a marca acredita, já estará falando sobre você. E para as agências: não subestime o cliente, ele conhece o contexto em que a marca está inserida melhor do que você. “Antes o contexto do que a execução”, disse David, que acumula cases de sucesso a partir de ideias óbvias como essa:

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[Under Armour, Misty Copeland – I WILL WHAT I WANT]
Drivers Droga5: Creatively Led. Strategically Driven. Digitally Native. Humanity Obsessed.

Operação Real Time e Conteúdo feito por consumidores

Nessa Copa, a Coca-Cola desenvolveu uma operação real time totalmente dedicada para pesquisa e ações da marca no evento. A estratégia se embasou em quatro pilares:

1- Ouvir
Diariamente, toda a equipe analisava reports do que estava sendo falado nas redes sociais, nos canais da marca e sobre os concorrentes, fazendo a leitura contextual. Um report semanal trazia a leitura dos atributos da marca, com indicadores de conexão emocional, intenção de compra e associação positiva com a marca. “Precisava incorporar algo que estivesse de fato acontecendo na vida das pessoas”, disse Adriana Knackfuss, diretora de Real Time Marketing da Coca-Cola.

2-Falar
A marca produziu 12 infográficos, 20 vines, diversos posts e tweets, 3 real time mash ups com fotos no telão dos estádios etc. Na comunicação offline, quebrou alguns paradigmas ao tentar aplicar o mindset de digital para outros meios. Foram veiculados 10 filmes para a TV em 32 dias. Segundo Adriana, essa atuação privilegia o contexto frente à superprodução, ao formato criativo e à execução técnica.

Mas além de falar sobre o que as pessoas estavam falando, uma das iniciativas no digital foi além: deu voz aos próprios consumidores. Oito adolescentes de população carente foram apadrinhados e cobriram o evento de forma autoral, postando o conteúdo produzido em suas próprias redes e nas redes da Coca-Cola. Eles tiveram total liberdade e, segundo Adriana, os conteúdos criados por eles foram melhores do que os da própria marca.

Nesse exemplo de comunicação através dos consumidores, ao mesmo tempo que se perde o controle, diminuem as chances de errar. Pode soar contraditório mas, pensando bem, é até óbvio, né? É contexto puro “apenas” envelopado pela marca.

3-Reagir
Já no terceiro pilar, poucas marcas teriam equity suficiente para se arriscar (afinal, é a Coca-Cola). Ao mapear menções que falavam positivamente a respeito da Copa, a marca passou a interagir em conversas que ela acreditava que seria bem recebida. Em 99% dos casos, as pessoas ficavam felizes em ver a Coca-Cola interagindo espontaneamente com elas.

4-Amplificar
Trabalho de mídia, PR e influenciadores. Três profissionais de performance ficavam ao lado da criação acompanhando tudo que “saía do forno” e pensando em como amplificar da melhor forma.

“Mais do que uma campanha, a gente entende que é a nova forma como vamos engajar nossos consumidores daqui pra frente”, diz a diretora.

Resultados: marca mais associada à Copa, maior recall. 84% da população impactada com o plano. Recorde de engajamento emocional com a marca, de 65% para 92% positivo.

Lançamento Skol alumínio

Não subestime seu cliente, mas também não subestime seu briefing. A transformação de uma campanha em um novo projeto muitas vezes depende da iniciativa da própria agência. O projeto Skol Design, que criou uma loja de objetos de decoração com o produto, nasceu de um briefing para o lançamento da garrafa de alumínio e de um problema: todos os concorrentes já tinham lançado essa garrafa e não havia nenhum diferencial comunicável para o lançamento da Skol. Então, o diferencial foi inventado e isso ainda gerou negócio para o cliente. Em um mês, mais de 60 mil kits foram vendidos, alcançando R$ 3 milhões de retorno.

Antes feito do que perfeito

Dermacyd apresentou o case “Vagão para Mulheres”, projeto criado para o metrô do Rio de Janeiro no momento em que a pauta do transporte público brasileiro era o problema dos encoxadores. A ação gerou conversa e chamou a atenção para o assunto, incentivando uma discussão coletiva sobre os valores envolvidos na iniciativa. Os resultados do case mostram tanto apoio de usuários quanto críticas feministas alinhadas com um pensamento emergente de não-isolamento das mulheres, mas de reeducação para os homens.

A marca agiu rápido. Agradou uns, desagradou outros, mas sem dúvida canalizou o buzz do assunto para a marca e, indiretamente, estimulou uma discussão positiva para a sociedade. É evidente: se a conversa é polêmica, a marca não agradará a todos ao participar dela. Especialmente por isso, a causa da marca precisa estar muito bem definida para orientar a forma de entrar nos assuntos – entendendo que essas são as melhores oportunidades, não só para a marca aparecer, mas se posicionar e reforçar seus valores, sejam eles dominantes ou emergentes. Com todos seus acertos e erros, esse é um case que ilustrou bem o conceito do evento e um dos principais drivers para quem quer fazer real time marketing: antes feito do que perfeito.

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Sócio da W3haus entre os mais inovadores da comunicação e do marketing no Brasil

Alessandro Cauduro sócio fundador da W3haus, foi escolhido entre os 50 profissionais mais inovadores da comunicação e do marketing no Brasil. A lista completa está na edição impressa especial “Innovation Issue” da Proxxima. http://w3ha.us/1t27wpi

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